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sábado, 12 de novembro de 2011

LIVRO: Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil

Terminei semana passada este livro acima. Até certo ponto, sua dinâmica e escrita parecem com do livro CRASH, que já comentei em alguns posts lá atrás. São textos curtos, inseridos em temas mais amplos explicando os erros existentes nos livros de escola sobre a história do Brasil.

O formato do livro eu não gostei muito, pois os textos ficam muito perto do centro das páginas e por isto, para ler temos que ficar forçando a abertura do livro, o que invariavelmente acaba por estragá-lo. A leitura não flui, pois temos que ficar mudando o livro de posição ou a cabeça de lugar para terminarmos as frases. A edição é da Editora LEYA, por sinal, a mesma do livro CRASH.

O autor, Leandro Narloch, escreve bem e explora os temas mais comuns do que aprendemos na escola com uma simplicidade ímpar. Claro que existem partes do livro que, na minha visão, poderiam estar melhor explicadas ou até, melhor escritas. Mas é assim: escrever um livro é um ato interminável. Em algum momento temos que simplesmente abandoná-lo, senão nunca fica pronto. Então, perdôo sem problemas estes pequenos detalhes. Na próxima edição talvez ele os revisite.

Os temas tratados são muito interessantes. Os que mais me chamaram a atenção foram os referentes à morte dos indios - causada em grande parte não pelos colonizadores, mas pelos próprios índios - , sobre a escrotice de D. Pedro I e a inteligência e cultura geral de D. Pedro II. Sua postura pró liberalismo, pró democracia, para aquela época era muito louvável, ainda mais tendo a origem que teve. Apesar do pai ter sido um bronco, Pedro II era formado em filosofia, conheceu Thomas Edison e deu ao parlamento brasileiro extensos poderes de gestão do país. Isto inclusive foi o que de fato acabou desembocando na proclamação da república em 1822. Não foi algo revolucionário, com luta pela liberdade .. nada disto. Foi um movimento natural. Não terminou antes, pq nossa monarquia, se posso dizer asim, era de uma modernidade ímpar, quase única. E isto, graças a D. Pedro II.

Vale dizer, que na época da proclamação da república, o interesse do Brasil era SOMENTE ser independente, mas de forma alguma queriam perder o vínculo com Portugal, de onde vinha toda a infra-estrutura desde educadores, como alimentos, hábitos, costumes e vestimentas. Não houve nenhum tipo de ruptura e aquele quadro, portanto, que existe no museu do Ipiranga com D. Pedro I proclamando a independência, é de uma bobagem histórica arrepiante. Não houve de fato nada disto. Gostávamos de Portugal, dos portugueses e do que traziam da Europa para cá.

Nunca havia sido informado destes detalhes e que mudam completamente o panorama de como as coisas foram feitas aqui na terrinha. O dia do Fico foi um fiasco ... até o texto dito por D. Pedro I que aprendemos na escola não foi exatamente aquilo que nosso Príncipe Regente disse.

Fico pensando na qualidade dos meus professores de história do Brasil, o Boni e o Bellucci, do colégio que estudei. Será que eles sabiam, mas eram obrigados a ensinar em cima de um currículo falso, manipuilado ou simplesmente não sabiam ? E do que somos cobrados no vestibular: somos cobrados por saber uma história que de fato não aconteceu ? Que tipo de amálgama faz parte da base da nossa história e que hoje poderia explicar grande parte dos nossos problemas sociais sem territorialismos, viéses ou bobagens referentes à miscigenação ?

A parte final do livro também é magnífica. Discorre muito bem sobre a mudança do padrão de cor da população, basicamente negros de um lado e brancos do outro, para um ufanismo exagerado sobre o "verdadeiro brasileiro", mulato, miscigenado e por causa disto, de um valor pancultural único. Algo criado pelos intelectuais da época com o falso pretexto de termos um "gene brasileiro", típico da miscigenação de raças e culturas. Esta história foi criada, nunca foi visto deste jeito e nem os estrangeiros nos viam desta forma. O clássico de Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala, publicado em 1933, possui erros e viéses sociais enormes com o intuito velado (?) de criar um povo homogeneizado pela miscigenação. Algo que nunca existiu de fato !!

A exploração do negro e dos índios pelo branco aristocrata e colonizador é, em sua grande maioria, uma história falsa. No início do século existiam vários negros e índios tão ricos e bem sucedidos quanto os brancos, inclusive negros que exploraram durante muito tempo o mercado escravagista, trazendo conterrâneos da África para o Brasil. Incrível, não ? Negros que escravizavam negros. Na África este tipo de postura não era tão incomum assim, por isto inclusive os negros vinham para cá. Lá na terra deles, as tribos já tinham esta poistuira com outras tribos mais fracas.

Bem, gostei muito do livro. Para quem quer sair da caixa, deve ser lido. Me senti muito enganado na escola. Isto é o que aconteceu !! hahaha

Agora estou lendo um outro em inglês, do CEO da OakTree Capital, Mr Howard Marks - The Most Important Thing.

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